Buscando o paraíso



“O tempo nunca para, mas a saudade faz as coisas pararem no tempo”
(Autor desconhecido)

Nada para ser feito e há tudo por fazer aqui. Esse é o termo regra da saudade: Tédio.

Há tédio onde quer que eu olhe, na solidão do meu quarto, nas futilidades do meu computador, e eu não tenho interesse de sair no mundo lá fora... onde com certeza o tédio também estará.

Estou no meio do nada sem saber qual a direção do paraíso, sem ter forças para ir onde quer que o vento sopre... em meio ao tédio, esperando a chuva chegar eu sei que lugar nenhum será o que preciso sem você.

As promessas do destino são o de vê-lo em breve, de quem sabe por pouco tempo desviar-me da ilusão de que eu não mais o preciso, pois o tenho em meus braços, de por um breve momento partilhar da mesma chuva gotejada sobre nossos beijos... e então depois a saudade rezará baixinho cantando em meus sonhos que de novo meu mundo para e se entrega ao tédio de esperar, esperar o tempo de revê-lo chegar e tornar meu lugar nenhum em paraíso.


 

Diga-me não
e será tua ultima palavra
 referida a mim.

Já negastes o teu interesse
isso não basta?
Queres dizer também esse não
parado de quem responde
pelo vago motivo
de julgar necessário a outra pessoa...

Há algum tempo eu quero deixá-lo
E se ainda não o fiz
é pelo motivo real de
que não existe conteúdo
entre nós...

Não há uma história para deixar para trás,
E como abandonar o que não existe?
Mas diga,
diga o não que sem sentido queres dizer-me!
Diga!

Negue-se, faça esse favor...
Não sentirei saudade do que não foi
nem mágoas dos atropelos que não ocorreram.
Tão pouco me darei o trabalho de dizer adeus,
meu adeus é reservado aos poucos
que com grande esforço
saudades deixaram...

Mas deixarei
que você saboreie suas negativas
o silêncio esplêndido da solidão
 

Mil


De mil maneiras eu posso calar o amor
de mil nomes posso chamá-lo
dando a você
o cargo
de amigo
colega
ou conhecido
e de mil formas ainda será amor.

amor que não se cala
e se entristece no silêncio
do reflexo de um espelho vazio
que ficou solitário
quando tudo aqui
passou a ser de um
dourado amargurado

de mil formas posso sorrir para o seu sorriso
de mil formas posso receber o seu adeus
com mil estrelas
posso incendiar os teus caminhos
e com mil lágrimas
permanecer sem um beijo seu.

mil pés cansados
virão desse poema
dizer-me que você
já me esqueceu
e em mil frases eu
direi que já por ti não sinto amor
e mil mentiras rirão da minha dor

e no final
quando a lua velar
meu fim
que se apagou nesse fingir
não querer-te
mil vezes a lua dirá que foi amor.
 

Borboleta dos Amores



Sempre me perguntam o motivo de eu ser a borboleta dos amores, e o motivo
se resume a esse poema de Casimiro de Abreu, meu preferido, confira:


Borboleta

Casimiro de Abreu


Borboleta dos amores,
Como a outra sobre as flores,
Porque és volúvel assim?
Porque deixas, caprichosa,
Porque deixas tu a rosa
E vais beijar o jasmim?


Pois essa alma é tão sedenta
Que um só amor não contenta
E louca quer variar?
Se já tens amores belos,
P'ra que vais dar teus desvelos
Aos goivos da beira-mar?

Não sabes que a flor traída
Na débil haste pendida
Em breve murcha será?
Que de ciúmes fenece
E nunca mais estremece
Aos beijos que a brisa dá?...

Borboleta dos amores,
Como a outra sobre as flores,
Porque és volúvel assim?
Porque deixas, caprichosa,
Porque deixas tu a rosa
E vais beijar o jasmim?!

Tu vês a flor da campina,
E bela e terna e divina,
Tu dás-lhe o que essa alma tem;
Depois, passado o delírio,
Esqueces o pobre lírio
Em troca duma cecém!

Mas tu não sabes, louquinha,
Que a flor que pobre definha
Merece mais compaixão?
Que a desgraçada precisa,
Como do sopro da brisa,
Os ais do teu coração?

Borboleta dos amores,
Como a outra sobre as flores,
Porque és volúvel assim?
Porque deixas, caprichosa,
Porque deixas tu a rosa
E vais beijar o jasmim?

Se a borboleta dourada
Esquece a rosa encarnada
Em troca duma outra flor;
Ela - a triste, molemente
Pendida sobre a corrente,
Falece à míngua d'amor.

Tu também minha inconstante
Tens tido mais dum amante
E nunca amaste a um só!
Eles morrem de saudade,
Mas tu na variedade
Vais vivendo e não tens dó!

Ai! és muito caprichosa!
Sem pena deixas a rosa
E vais beijar outras flores;
Esqueces os que te amam...
Por isso todos te chamam:
- Borboleta dos amores!

Rio - 1858
 

BLOGGER REFORMULADO *___*

O Blogger hoje ganhou uma roupagem nova, desenvolvida por mim graças ao site http://www.dotemplate.com/dt/home.do que permite editar o template e adequá-lo ao
gosto e a necessidade do autor .

O meu ganhou um visual novo com banner feito especialmente por mim com dois símbolos que me caracterizam
a Estrela Dourada e a borboleta, preta [sombria] e dourada, representando a minha versão borboleta dos amores, a cor rosa fica em destaque, lembrando a mim mesma o meu lado feminino e meio gay.

Se em algum momento na leitura de textos antigos não conseguir visualizar as letras é possível que seja preciso a seleção delas pois os templates antigos possuíam configurações diferentes em relação as letras.

Abraços
Kelly Martins
 

Julga-me sombria,
calada e fria...
Mas nunca reparou na cor real 
dos olhos meus.
Se as pessoas não me olham
o bastante para me ver
que culpa tenho eu?
Sombria sou se não me revelo;
que seja!
Mais sombria ainda é a tua necessidade
de me conhecer por fora
querendo entender as metáforas 
bobas que por hora saem da minha boca.
Eu sou bem mais do que eu digo
e esse mistério você não
pode descobrir apenas me ouvindo ou
me lendo ou me querendo...
é preciso um pouco mais,
somar as faces 
e a simplicidade 
das cicatrizes 
que trago... não dá pra saber quem sou
só pelo que eu digo aqui...

Você vê em  meus olhos a
cor da noite escura
você acredita que é difícil demais saber a
profundidade que há da superfície a minha alma,
mas se você olhasse mesmo
veria que tenho olhos
cor de castanho rasos,
que é mais simples me compreender
do que qualquer um julgaria possível.

 


Acredito nas primaveras floridas que só o seu olhar
entrega as minhas desventuras de solidão


Sua voz é minha esperança remanescente 
é o meu algoz e me inflige força
e me critica os dias da ilusão de sobreviver
um segundo a mais após um outro que eu morri
em grandes termos espaçados..


Verões resgatados em meio ao gelo frio
da correria do tempo que eu deixei perdido a passar
por entre os fios finos do meu cabelo azul.
foi o teu relâmpago
a causa do retorno do sol 
por mais curto que o dia fosse e por mais longo
que o silêncio da morte no anoitecer tenha superado 
os versos, eu vivi um momento graças a você


No Outono não haviam mais esperanças e as murchas
alegrias floridas permanecem em cinza cálido
esquecidas no vão das lembranças que esperavam adormecidas 
um tempo que colocasse as estações em ordem


Havia fogo no inverno seco e sem lua
fogo que o vento trazia do leste e subia 
serpenteando nas brisas
consumindo o que não foi ..
perdendo o futuro 
caindo 
para encontrar outra vez
as primaveras floridas do teu olhar
que me traziam algo aquém da calma
algo que assim poderia se chamar até de amor...
 

Noite



Essa noite eu sabia que não conseguiria dormir bem,
seria preciso ser vencida pelo cansaço 
esperar que meu corpo já não suportasse mais
antes de me deitar...


Se eu me entregasse aos travesseiros antes disso
eu teria sucumbido à imagens vagas
e torturantes e eu jamais conseguiria dormir outra vez...


Pensar em minha vida me causa tontura e
calafrios.


Eu prefiro que o sono e a necessidade me consumam 
antes de me desligar,
de reiniciar,
antes de tentar adormecer...


Derrotada eu sucumbi
o coração cansado 
e os olhos lavados por dentro e por fora
eu não senti o mundo nem
abaixo nem acima de mim e dormi.


Quando acordei estava inchada
explosiva e ainda cansada
com um relâmpago dentro do crânio
uma sensação entorpecente
de quem correu de um furação
e se afogou numa enchente...


Uma dor de quem desmorona e não tem de onde cair.
 
Meu mundo esta ficando cada vez mais vazio e apertado...
A cada nascer do sol se torna mais sombrio,
Sem graça, sem calor...
Não posso viver num mundo tão pequeno
e eu não aprendi a construir nada...
O que farei? Cercada de tudo,
Nenhuma cor é do meu tom
e  só posso alcançar  o nada.
O que farei se minhas lágrimas se sentem
 inúteis o bastante
Para não se derramarem sob meus olhos...?
E tudo q existe é essa desesperança
De que o mundo jamais voltará a ser
Colorido.
O que eu deveria fazer? 
 

Talvez... um não!

Como eu poso ser feliz com um talvez?
Um não sei...?
um quem sabe...?

Essa indecisão é pior que 
um efetivo não!
O não resume e finaliza 
o sofrimento, oferece
um definitivo direcionamento.

O talvez deixa a duvida a pairar
e não se pode caminhar.
Partir para onde dessa encruzilhada?
um caminho não se faz sozinho afinal.

Não posso ficar aqui esperando
o fim da indecisão.
Preciso partir logo...
e já que você não se
estabelece
vou tomar o seu talvez
como Não...

E se ao mudar de ideia
lembre-se estarei
a distância
e saberá Deus o que terei encontrado 
no caminho 
que eu fui levada a tomar
quem sabe um grande bem...
que com um certeiro VEM
tenha tomado  o seu lugar. 
 

...Coração Morto



O ar entra e sai
Inconstantemente...involuntariamente.
Não há mais batimento em meu peito!


...Antes havia como que uma bola de fogo imensa
Destruindo, com muita dor, tudo ao redor
Aos poucos o fogo cedeu lugar às cinzas
E não havia mais nada de cor...tudo era pálido
E esquecido, mas eu ainda podia respirar... ainda havia ar.


Um sopro ainda vivia, batia, gemia e iludia
Havia algo pelo que lutar...
Mas já não há mais ar,
Um coração morto não pode voltar a bater,
Mas também não pode sofrer.


E eu não sofro. Minha alma é apenas o que sobrou
E ela trás esse luto velado. Minha alma é triste, sempre  foi...
Mas não sofro. Um coração morto não pode bater e arder!

Embora algum ar continue
A entrar
Inconstantemente...involuntariamente
de um jeito que eu não sei querer.
 

...Errada !




Sei que é a escolha erra e a estou fazendo mesmo assim. É triste !

Mas é o que eu quero e talvez eu precise mesmo de mais algumas milhares de lágrimas derramadas até estar realmente pronta pra tomar a decisão certa. Mas o momento não é agora... disso eu tenho certeza.

Não posso mais dar esperanças a um amor que não vai surgir em mim, porque não dá pra aprender a amar, essas coisas apenas acontecem. E eu já amo em demasia outra pessoa. Sei que o mesmo não me merece e isso pouco importa agora, preciso de mais dias turvos, mais lágrimas antes de deixá-lo, antes de tentar ser de outra pessoa.

Pode ser que isso vá contra todos os conselhos. E sei que não é a escolha do topo da lista, mas é essa que eu escolho, antes de mudar qualquer coisa em minha vida.
 

...Não posso sobreviver



Lamento a vinda do próximo amanhecer antes mesmo que o dia de hoje anoiteça. O fim de mais um dia revela a inevitável ameaça que outro dia surgirá... Invariavelmente, mesmo que eu não estivesse aqui... mas eu estarei.
Algo importante esta vindo, eu sinto isso. Embora não possa prever, cada segundo caminha para isso, sem me dar opções de ficar. Não saberia dizer se será bom ou se apenas será o que precisar ser.
E, no entanto percebo diante dos olhos do tempo que eu posso sim DESISTIR, mesmo que meus vagos motivos não sejam de fato razoáveis, que sequer possam ser tidos como RAZÕES, seriam apenas tolas desculpas. Mas posso sim apenas não ARRISCAR, mas a verdade é que eu tenho medo demais... Medo de ser feliz, medo de me permitir um breve momento de felicidade outra vez e perceber que o que vem depois é o desmoronamento do meu mundo, eu temo que as ruínas que já ficaram em mim não me permitam sobreviver mais uma vez.
Na verdade eu sei que não sobreviverei. Ser feliz seria o caminho mais fácil para desandar toda minha estrutura e a outra opção é manter os alicerces de tristeza e solidão que embora sejam ambas fracas e instáveis me manterão em pé por mais algum tempo. O contraditório é que anseio pelo fim. Como se ele me desse outras opções que não tenho aqui.

Kelly Martins
 

...Perdida frustração


Frustração.
Só conseguir olhar pro chão
E se indignar por não
Ver nada além dos próprios pés ..

Ver você passar
Mirar o meu olhar
No seu olhar
E descobrir que o seu
Não enxerga nada do que deveria ver em mim

Imaginar
Você e outros braços tomar no teu
Chorar ao ouvir teus passos distanciarem dos meus
Sorrir só pra vc não ver a magoa a causar.
Partir quando as forças
Exigem o sucumbir e o eterno penar.

Frustrada seguir a vida
Sem direção
E becos de saída...
Sem você.

 
Não preciso que me adulem... não é de consolo que eu estou precisando...

Deixem apenas que me alma seja consumida por essa amargura tristonha

que nada tem a proferir ..

Amanhã uma parte de mim terá morrido.. e serei menos eu.

Um pouco menos daquilo de mim

que acabou.
 

Diário



Querido Diário,
02.08.2010

Vamos conversar um pouco, talvez pouco interesse a você como eu tenho passado, mas uma vez que sua função é apenas essa e eu realmente preciso expressar um pouco sobre os meus temas contemporâneos vamos falar sobre o que eu sinto no presente momento:


Estou intolerável, estou intolerante e não compreendo mais nada. O que há de errado comigo? Sinto que se dissipam todas as minhas vontades, o mundo não me interessa e o tempo não existe mais. Tudo que eu quero é ficar calada no escuro, sem ouvir o que as pessoas tem a dizer, sem dizer o que as pessoas tem a ouvir. Todo som que eu necessito é a mesma música tocando baixinho repetidas vezes os versos que eu já sei.
Estou assustada, pois tudo no mundo não me pertence mais. Minhas rotinas estão quebradas e eu vejo, sem angustia alguma, os deveres se acumularem, as horas passarem e  não me causa efeito algum viver. Não há sofrimento e tudo é tão tedioso, mas o tédio não me incomoda eu só preciso que o silêncio me absorva por completo.
Nada me faz falta, é como se as coisas no meu quarto olhassem para mim e o espelho refletisse a mesma imagem cáustica... Mas sempre foi assim. Nada mudou e nada foi embora e eu sinto uma vontade imensa de partir para um escuro maior.
... Se amanhã eu não puder falar com ninguém? Se amanhã não conseguir fingir ouvir ninguém? Embora eu não me lamente, há algo errado. E eu gostaria de entender antes que o vazio me consuma para si.


P.S. como eu já previa de nada me ajudou escrever! Um dia eu compreenderei o motivo de lhe ter dito essas palavras tolas, ou pelo menos essa seja uma das poucas esperanças que eu ainda conservo.
Calorosamente

Kelly Martins.

 

Querendo me amar


- Eu havia parado de mentir sobre coisas que achava que as pessoas não deviam saber sobre mim...Coisas que pareciam exposição demais. Pq eu simplesmente tinha medo, medo de saberem demais sobre mim, de não ter sobre mim uma parte que sempre seria minha ... Eu me amava profundamente e uma parte egoísta de mim me desejava só para si.

Eu havia parado, pq eu queria muito que vc soubesse exatamente como eu era...pq como eu me amava achei que vc podia me amar tbm... e eu não me importaria de me dividir se fosse com vc!

Então vc não deu a miníma pra quem eu era... Você não quis as coisas que eu jamais dei a ninguém... E eu me vi como sendo um nada, pouco significante e atrativa... e passei a me esforçar um pouco mais a cada dia jurando inúmeras vezes ao adormecer após lágrimas que o amanhecer me faria uma pessoa melhor... mais agradável e que naquele próximo dia a minha vida podia começar uma nova etapa, uma em que os meus desejos se realizavam com vc lá me vendo construir o paraíso para nós dois!

E os dias passaram um após outro e às vezes o anoitecer trazia uma lágrima a mais, as vezes uma lágrima a menos... Mas eu deixei de amar quem eu era e passei a me expor demais, apenas tentando e buscando melhorar um pouquinho que fosse, um pouquinho que fizesse valer a pena.

Nada mudou, dia após dia... Surpreendo-me com a minha capacidade de melhorar, coisas que eu nem esperava. Mas me tornei diferente até para mim mesma, uma estranha em meu próprio mundo! Meu sorriso sempre falso, minha capacidade de declarar uma felicidade infinita quando cada centímetro do meu eu se rasga de angustia, de tédio e de solidão!

Já se passou tempo demais ! Os passos que ficaram para trás o vento calou. Eu não poderia voltar, nem mesmo saberia por onde. E eu gostaria de conversar com essa pessoa que se supera em tudo, menos na capacidade de te esquecer, gostaria de amá-la por quem ela é...mas essa pessoa calada não me ouve passar, se cala e se expõe de um jeito frio, suas lágrimas sob um véu, seu sorriso sempre a dançar e sua mente sempre a esperar a tua música começar a tocar...

E tudo que vem é esse nada ... esse esperar sem esperanças... uma contradição errada e contrária de um entendimento sem lógica, dessa história sem programação  ! 
 

Caminhando por minhas lembranças
comecei a sorrir de um jeito singular...

Ainda me dói a desvantagem de não tê-lo,
mas pensando comigo
eu percebi que não há mais escuridão.

Agora você sabe, e eu sei disso,
sobre os meus sentimentos por você,
não é mais só algo que fica subentendido,
é mais, é plausível e plenamente justificável.

Você sabe, e eu sei disso!

Agora é uma questão de vertentes e algumas variáveis:

O destino precisa querer me conceder esse presente,
A verdade precisa concluir a nossas incertezas
Eu preciso ajudar o amor a nos juntar
E você precisa se abrir e se entregar ao que virá.

É tudo uma questão do que tiver que ser...
E sendo como for, agora você sabe, e eu sei disso,
Que eu fiz e farei o melhor que eu pude por nós dois!


Kelly Martins
 

D,

Preocupo-me com o futuro. E espero que nele não me doa tanto a ausência do teu olhar... Não é mais como se eu esperasse não te amar um dia, depois de tanto tempo não sei mais se é viável, eu apenas desejo parar de sofrer... E gostaria de voltar a olhar no espelho a garota que eu amava, aquela mesma garota  que olhava com olhos que lhe sorriam em meio mesmo as lágrimas.
Provavelmente eu ainda verei as mesmas fotos e ouvirei aquela mesma música que descreve com perfeição nosso primeiro beijo... Mas eu preciso que essas recordações não vazem mais a saudade que eu sinto através dos meus olhos deixando úmidas essas cartas melosas que você nunca lerá.

K.
 





Nada aconteceu.
E essa tristeza me invade como um
 mar que se obriga a naufragar
 o navio, sem justiça de causa.
Nada mudou.
Continuo esperando
e em voltas
que as horas dão
recebo o que eu
em parte esperava...
Mas tão pouco a solidão diminui,
ao contrário, aumenta
e retrógrada me reafirma
medos e saudades antigas
todas juntas, amargamente
 acumuladas para eternizar essa
fraqueza!

Que saudade que eu sinto na sua presença!
Que se cala devagarzinho quando você não esta aqui
Por que se faz acreditar que você foi sonho
E que como sonho posso continuar sonhando
Te vendo, tocando e tomando para mim.


Que estranho sofrer mais por te ver,
Quando tudo que eu imagino e quero é tocar você!

Se nada muda, se eu não recebo nãos
E vejo deslumbres de talvez
Se tudo continua como na segunda vez
Essa saudade não devia se conformar e
Ir embora de vez em quando
Dando espaço a alegria de você existir para mim?

O recomeço da solidão
na rua vazia dos becos do meu eu...
Naufragando sem razões, sem justiça
No delírio do sabor do beijo teu!






 

Sinto-me um infortúnio da existência.
Tão desmerecida de felicidade que
Nem mesmo os teus olhos tristes são castigo suficiente
Por te fazer magoado!
O medo de que me deixes
com a dor que releio em cada palavra sua e
o amargo de me recusar à esperar pelo pior
misturado a ansiedade por uma mera palavra tua, são ainda
castigos insuficientes por te fazer chateado!
Nunca fora intencional... e vi esforços de noites insones
Que eu passei calada pela saudade desesperada que sentia
E não podia matar... Esses esforços que só queriam proteger-te
Mesmo que a distância fosse a condição!
Palavras que brotavam na minha boca e que eu jamais usei...

Seu nome, tão doce nome, eu só pude pronunciar em sonhos...

Não deixes aqui nesse
 Triste caminho de sombras
A espera de uma palavra final!
Sinto angustia em meus olhos que insistem
Em esperar que seja pesadelo
O talvez adeus!
Não posso consigo consumir tempo dormindo,
chorando  ou em nada que seria normal!
Só a espera reza o meu tormento...
Sofrido e mudo tormento...
Ouça-me
Os meus argumentos talvez não bastem...
Minha palavra ainda sim é sincera!
Rogo-te que ouça-me!
Pelo menos a verdade você saberá se partir!
E mesmo que eu mereça a pior de todas as dores
Por te fazer magoado
Seria um pouco aceitável perde-lo
Menos dolorido se você decidir partir
Sabendo que eu te amo
E ainda depois de tudo te amarei.
O meu amor não sendo perfeito,
Nem o mais belo, mais sincero o máximo
Que poderia vir a ser! Ouça-me!
 

Não digo TE AMO, não mais!



Das vezes que eu amei,
Dos dias que eu busquei palavras perfeitas para serem ditas,
Momentos na vida que eu ensaiei o meu olhar...
Das vezes que disse sinceramente que amo
Das luas que apagaram os rastros do sol
Das decepções sentidas
E agora

Eu não consigo dizer eu te amo, não mais!
Depois de tudo que o meu coração passou
eu mesma não confio nas palavras doces
nem mesmo em atitudes que parecem sinceras...
Descrente do mundo e da história da vida
Eu quero apenas seguir pra onde tiver que ir
Sem nada dizer

Ou talvez apenas com algo a fazer
Que não seja sofrer!


Eu aprendi a não dizer que amava
E não dizendo eu também aprendi a não ouvir
Mesmo as palavras que são ditas...


Essa talvez a essência da minha história de vida
Que descrente segue onde tem que ir
Sem nada a dizer
Esperando de novo e sempre
Parar um pouquinho só de sofrer!
 

Querido Diário,




Inspirada por algo que eu já não lembro mais resolvi escrever-te. Vejamos, creio que o mais correto seria começar por uma apresentação formal. Muito bem, sou Kelly Martins, ou pelo menos é como me chamam, os amigos, parentes e conhecidos, tenho alguns anos de idade que diferem bastante dos meus vários anos de maturidade, que devo confessar anos esses instáveis e rebeldes que se expressam de acordo com sua vontade variando com as situações...

Faço às vezes coisas que me agradam, coisas que eu normalmente não conto a ninguém, mas pensando bem que coisas eu conto? Conto o mínimo que posso, eu sei que isso é meio sombrio... Mas sei que quem ouve não compreende, não vê de fato a real essência do q eu queria dizer, isso me frustra. Ninguém é capaz de dimensionar uma dor, ou uma felicidade a não ser aquele que sente! Então me diga, para que desperdiçar minutos e minutos compartilhando minhas vagas e banais experiências? Isso não vai interferir na vida do ouvinte, talvez lhe acrescente uma dose de tédio. E ser chata é algo que temo.

Ah, meus temores, são tantos que talvez não seja melhor não comentá-los agora. E de fato muito do que constrói o homem são seus medos. Aquilo do que se esconde. Não quero falar disso, não com você. Ou talvez não no momento. Eu também sou imprevisível, e sendo assim não espere que eu escreva em futuros próximos, não me alio a rotinas ou ao compromisso de lhe contar sempre qualquer coisa ou outra.  Então talvez você apenas nunca saiba o que eu temia de fato... Apenas aceite.

Creio que tenha percebido até aqui um pouco do que trás minha personalidade. E se um dia voltarmos a nos encontrar quem saiba possa lhe contar mais coisas... Por hora, creio que já seria o momento de deixarmos as formalidades e nos considerando grandes amigos eu possa, como é costume, contar alguma coisa banal que não mudará em nada nem minha vida nem a sua, mas porque eu quis se fará existir. Então aqui esta um fato que me ocorreu essa tarde e que eu gostaria de compartilhar com você:

Voltava para casa a pé, e eu simplesmente amo caminhar, não faço idéia da hora exata, mas era o final da tarde, de modo que ao virar uma esquina eu tive uma das visões mais belas e mais tristes de minha vida. O céu apresentava um laranja escuro tão intenso e incandescente que senti minha boca abrir sem um movimento consciente para isso, meu coração pareceu perde-se no ritmo. Aquele céu perfeitamente desenhado, parecia uma obra de arte rigorosamente arquitetada para causar espanto e choque. Deixava registrado um momento que não haveria mais, pois como imagino que saiba, querido diário, cada pôr-do-sol é único.

Uma beleza incontestável. Mas uma beleza triste, pois aquela intensidade só mostra com a mesma força o grau de poluição do ar... Quanto mais laranja ou vermelho o pôr-do-sol é mais poluído o ar esta. Isso me incomoda, me frustra, o mal nem sempre tem uma cara justa, não é... algo indefinidamente atrativo é errado e o que mais parece vivo esta morto. Será que em algum momento, minha vida é assim também, uma mascara de vida e luz e a verdade de um vazio profundo e sombrio? Talvez eu saiba a resposta... talvez eu te conte... por hora, apenas aceite.

Até mais.
Ou não.
Kelly Martins


 

Livro-me

Agora eu vou partir e jogar pro alto que eu vivi aqui, cada pedaço seu em mim já é passado! Pro inferno com seus passos mal contados, eu quero a lua que seus olhos não me fizeram ver
E tudo que eu busco daqui pra frente é viver sem precisar de você.
Pq o que eu te dei em outros sonhos vc não consegue e em lugar nenhum vai ter quem reze as tuas preces pq eu fui o que devia ser pra vc, mas vc não agarrou o q o amor te ofertou
E agora tudo o q te resta é esse adeus que escrevo aqui
Eu já descobri como voar sozinha e o q futuro deixa pra mim n te interessa
Vou viver é o que basta a felicidade tem agora muita pressa e me espera!