Se você tivesse me ligado hoje...
Eu sinto saudade do pouco que ainda tem de você aqui, não que você não tenha me marcado para sempre, mas é que o que o tempo deixou aqui comigo foi apenas o essencial. Ah, se eu pudesse ter ouvido sua voz hoje, se eu pudesse ter ouvido mesmo que fosse sua respiração de longe, talvez eu tivesse a coragem de dizer a você o que eu senti hoje. Foi um dia tão diferente, algo que adormeceu acordou em mim e num espaço curto de tempo muita coisa se modificou, eu voltei a ser o que eu era e mesmo assim alguém diferente, modificada nem sei pelo que... Mas de todas as mudanças você não se perdeu de mim. Se eu pudesse ter te falado hoje só um pouquinho eu teria te contado como estou, de quem eu sou e que apesar de ter tanto de mim em mim, você ainda esta aqui, me torturando de saudade e ainda assim me fazendo rir involuntariamente... Sinto uma saudade tão imensa, é impossível caber tanta saudade em um ser humano só, e mesmo assim toda ela esta aqui concentrada no meu peito. Ah se eu pudesse, só por um momento, te contar hoje das minhas inspirações, quem sabe você compreendesse do seu lugar no meu mundo e assim eu poderia te convencer a não ir embora jamais, te diria que sei dos seus medos, que eu temo por eles também, mas que eu prefiro pular de qualquer abismo se for ao seu lado e que se eu pudesse ter a honra de segurar sua mão você saberia que não importam os riscos, a minha mão estariam lá segurando a sua. Eu queria tanto ter tido um pouco da sua voz hoje me dizendo que você sente minha falta de alguma forma simples e até mesmo calculável, assim eu poderia te contar das tardes de espera de como eu namorava o relógio pedindo que os ponteiros fossem mais ágeis. Talvez você me contasse que em algum momento, num sonho perdido, você sentiu que em algum lugar em pensava em você e que você sabia para onde voltar, pois esperava por mim também.
Seminarista
Sobre “O Seminarista” de Bernardo Guimarães:
Sou o apaixonado desesperado,
Miserável, com uma alma corroída e sombria
Onde por alguns momentos se perdem os ecos de dor
Onde por alguns minutos não se exala o perfume da saudade
Nem se nota qualquer reflexo de esperança...
Eugênio sou.
Sou a abandonada, entregue às angústias da saudade
Como flor mimosa morta pela impiedosa força
Do sol abrasador...
Aquela que não vendo outra solução para si, senão a morte
Abandona-se indefesa, expondo seu coração ao abutre esquivo
Do amor não correspondido...
Margarida sou.
Da história penosa
Sou quem não foi embora
Sou quem não ficou
Sou eu as duas almas tristes
Retidas e incompatíveis
Que no fim a morte carregou.
Morte Graziella
Tenho inveja de certa Graziella
que morreu de tristeza.
Tristeza por um amor que se perdeu,
que vingou, mas não sobreviveu...
Tenho inveja dessa Graziella.
Pois eu também morreria antes de matar o amor que
Demorou tantos anos para nascer em mim...
Amor que eu jamais sentirei outra vez
Pois sou uma dessas Graziellas que só amam uma vez
Só acreditam uma vez
Só se prendem uma vez...
Tenho inveja da morte de Graziella
A única voz que cala um amor sem fim...
Quero, oh Deus eu desejo tanto
Uma morte Graziella para mim.
Pouco Amor
Havia tão pouco amor na taça
O bastante para uma embriaguez
Uma ressaca eterna...
Não se deve beber quando o amor é pouco !
Amor pouco é veneno
Que o corpo não rejeita
Absorve lentamente e vai comendo você
Por dentro...deixando tecidos dilacerados
Mortos aos montes
Cheios de dor...
Havia tão pouco amor na taça...
Amor pouco é como muito álcool que desidrata,
Resseca o que há de bom por dentro...
É como a morte entoada mil vezes
Já no momento do nascimento.
Tempo perdido
O que fazer quando tudo que lhe é comum e confortável é insatisfatoriamente comum e confortável? Olho as paredes dessa jaula quadrada, tudo que preciso encerrada pela brancura desgastada com tempo e tudo tão meramente inconformado. Cansada das músicas, cansada do som do ventilador, cansada do telefone. Recriminando meus próprios motivos para tristeza, refutando as minhas incertezas para não voltar mais a escrever. Eu sou eu de novo, aquela de sempre... Com lágrimas a devastar os tons breves que a maquiagem colocou docemente em meu rosto. Tudo o que sinto: um desconforto, um sono terrível, uma vontade de partir de olhos fechados e nunca mais tomar consciência do mundo.
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